"Um relato honesto, científico e profundamente humano de quem fumou dos 20 aos 55 anos — e encontrou, do outro lado da fumaça, uma vida que não sabia que existia."
"Não sou herói. Sou alguém que conheceu o cigarro na mesma época em que aprendia a dirigir — e que, aos 55 anos, finalmente respirou fundo."
"Era uma terça-feira comum de outubro. Cinco e quarenta da manhã. Ainda escuro lá fora, o tipo de escuro que pertence só a quem acorda antes do mundo decidir começar. Desci as escadas em silêncio, como sempre, sem acender a luz da cozinha. Não precisava. Conhecia cada degrau, cada rangido, cada sombra daquela casa de cor. Meu ritual era antigo — mais antigo do que o colégio das minhas filhas, mais antigo do que o meu casamento, mais antigo do que qualquer versão adulta que eu tinha de mim mesmo. Sentei no quintal de cimento frio, acendi o primeiro cigarro do dia e fiquei olhando para o nada. Havia um cansaço que não era de sono. Era o tipo de cansaço que não some com descanso — o tipo que você acorda carregando. E foi naquele instante, sem drama, sem música de fundo, sem nenhuma epifania cinematográfica, que uma pergunta pequena atravessou a fumaça: até quando?"
"Você pode chegar lá. Eu cheguei."
— Ricardo Barreto, 55 anos, ex-fumante de 35 anos